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Google Shopping abriu 14 novos mercados: oportunidade real ou armadilha para e-commerces brasileiros?

A expansão internacional parece um atalho para crescer, mas catálogo elegível não resolve impostos, logística, devoluções, moeda e margem.

Por Douglas Hasse · Publicado em · 11 min de leitura

Google Shopping e mapa da Europa destacando a expansão para 14 novos mercados

Resposta rápida: o que mudou no Google Shopping?

Desde julho de 2026, anúncios do Google Shopping e listagens gratuitas podem segmentar 14 novos mercados: Bulgária, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Chipre, Estônia, Letônia, Luxemburgo, Lituânia, Liechtenstein, Moldávia, Montenegro, Macedônia do Norte, Malta e Sérvia.

Para um e-commerce brasileiro, a mudança abre novas possibilidades de distribuição, mas não cria uma operação internacional pronta. O Merchant Center pode tornar o produto elegível nesses países; a loja ainda precisa resolver idioma, moeda, impostos, frete, prazo, devolução, atendimento, meios de pagamento e margem.

Em outras palavras: a expansão é uma porta de mídia, não um plano de internacionalização.

O anúncio oficial do Google

No registro oficial de mudanças do Merchant Center, o Google informou em 14 de julho de 2026 que ampliou a cobertura de países elegíveis para anúncios do Shopping e listagens gratuitas.

Os 14 mercados são:

  • Bulgária;
  • Bósnia e Herzegovina;
  • Croácia;
  • Chipre;
  • Estônia;
  • Letônia;
  • Luxemburgo;
  • Lituânia;
  • Liechtenstein;
  • Moldávia;
  • Montenegro;
  • Macedônia do Norte;
  • Malta;
  • Sérvia.

O próprio anúncio destaca que os lojistas devem cumprir tanto as regras locais quanto as políticas do Google. Essa observação é a parte mais importante da notícia para quem vende a partir do Brasil.

Isso significa que qualquer loja brasileira pode anunciar nesses países?

Não. A elegibilidade do país não garante que a conta, o produto ou a operação estejam preparados.

Para anunciar em vários países, o Google exige informações coerentes de destino, envio, preço, moeda e disponibilidade. A documentação de configuração internacional do Merchant Center explica que o lojista precisa informar os países para os quais envia, custos e prazos, além de respeitar regras fiscais e de preço do mercado escolhido.

Na prática, existem três níveis de prontidão:

  1. Prontidão técnica: feed, conta e produtos conseguem ser aprovados.
  2. Prontidão comercial: preço, oferta e prazo são competitivos no país.
  3. Prontidão operacional: a loja consegue entregar, atender, trocar e devolver sem destruir a margem.

Se apenas o primeiro nível estiver resolvido, a campanha pode comprar tráfego internacional para uma experiência que ainda não funciona.

Onde está a oportunidade real

A expansão pode fazer sentido para lojas que já possuem uma destas vantagens:

  • produtos autorais ou difíceis de encontrar localmente;
  • ticket que absorve frete e custos transfronteiriços;
  • margem suficiente para impostos, devoluções e aquisição;
  • logística internacional já testada;
  • catálogo em euro ou em moeda aceita pelo público;
  • atendimento e páginas adaptados aos idiomas necessários;
  • demanda orgânica ou pedidos espontâneos vindos do exterior;
  • operação ou estoque dentro da Europa.

Os mercados menores também podem ter concorrência publicitária diferente das grandes economias europeias. Isso não significa CPC baixo ou venda fácil, mas pode criar nichos interessantes para marcas com produto específico.

A armadilha: confundir alcance com demanda lucrativa

Ver 14 novos países no painel pode incentivar uma expansão por impulso. O problema é que alcance não representa demanda, e demanda não representa lucro.

Uma loja pode gerar cliques em Malta, Croácia ou Letônia e descobrir somente depois que:

  • o frete custa quase o preço do produto;
  • o prazo reduz a conversão;
  • a devolução custa mais do que a margem;
  • o cartão ou meio de pagamento não é familiar;
  • o preço final perde competitividade após tributos;
  • o site não transmite confiança no idioma do comprador;
  • o suporte não consegue atender no fuso e na língua;
  • o produto enfrenta restrições locais.

Antes de criar campanhas, calcule a contribuição por pedido internacional. Inclua receita líquida, custo do produto, embalagem, frete subsidiado, taxas, tributos, câmbio, mídia, atendimento e uma provisão para devoluções.

7 perguntas antes de ativar um novo país

1. Já existe sinal de demanda?

Procure no GA4, Search Console, CRM e histórico de pedidos. Há acessos, buscas, carrinhos ou compras vindas daquele país? Pessoas já perguntaram sobre entrega?

Um sinal pequeno e real costuma valer mais do que uma lista genérica de “mercados promissores”.

2. O catálogo é adequado ao mercado?

Nem todo produto deve ser internacionalizado. Peso, volume, fragilidade, regulamentação, sazonalidade e ticket mudam a viabilidade.

Comece com uma seleção pequena de produtos com melhor margem, disponibilidade e diferencial. Não envie o catálogo inteiro apenas porque a integração permite.

3. O preço final continua competitivo?

Compare o custo total para o consumidor, não apenas o preço do item. Inclua frete, tributos e possíveis encargos de importação.

O Google orienta os comerciantes a apresentar custos de importação e exportação de forma clara e manter consistência entre feed, página e checkout.

4. A entrega é previsível?

Prazo longo pode funcionar para um produto exclusivo, mas raramente funciona para uma mercadoria comum que o cliente encontra localmente. Defina rastreamento, transportadora, prazo conservador e processo de exceção.

5. A devolução cabe na margem?

Internacionalizar sem política de devolução é transferir risco para o cliente. Internacionalizar com devolução mal calculada é transferir risco para a própria loja.

Modele cenários de troca, arrependimento, avaria, extravio e recusa alfandegária.

6. A página fala a língua do comprador?

Traduzir título e descrição não basta. Medidas, moeda, prazo, política, suporte e checkout precisam fazer sentido para o mercado. Tradução automática sem revisão pode reduzir confiança justamente na etapa de decisão.

7. Como o teste será encerrado?

Todo piloto precisa de limite de gasto, prazo e critérios de decisão. Defina antes:

  • orçamento máximo;
  • produtos participantes;
  • países prioritários;
  • margem mínima;
  • número mínimo de sessões;
  • sinais de intenção observados;
  • condição para pausar ou ampliar.

Como testar sem transformar expansão em desperdício

O caminho mais seguro é um piloto controlado:

  1. Escolha um ou dois países, não os 14 de uma vez.
  2. Selecione produtos de margem alta e logística simples.
  3. Configure envio, prazo, moeda e impostos corretamente.
  4. Revise feed, página, checkout e políticas no idioma necessário.
  5. Separe a campanha e o orçamento por mercado.
  6. Acompanhe impressões, cliques, carrinho, checkout, compra e margem.
  7. Ouça dúvidas de suporte e objeções dos primeiros visitantes.
  8. Amplie somente depois de provar conversão e contribuição.

Separar campanhas é importante porque o desempenho agregado pode esconder um país consumindo verba enquanto outro gera as vendas.

O que isso muda para e-commerces brasileiros?

Para a maioria das lojas brasileiras, a notícia não exige ação imediata. Ela cria uma opção adicional para quem já considera vender internacionalmente.

O movimento mais útil agora é fazer uma auditoria de prontidão:

  • quais produtos poderiam viajar;
  • para onde já existe procura;
  • qual seria o custo total;
  • onde a marca tem vantagem;
  • qual estrutura operacional falta;
  • quanto pode ser investido em um teste.

Lojas que ainda enfrentam reprovações, feed inconsistente ou baixa conversão no Brasil devem corrigir a base antes de multiplicar mercados. Nosso guia sobre erros do Merchant Center ajuda a verificar essa etapa.

Ponto de vista da Agência Hasse

Expansão internacional não deveria começar no seletor de localização do Google Ads. Ela começa na economia do pedido.

O Shopping pode acelerar descoberta e comparação, mas também acelera problemas. Se a margem, a logística e a experiência não fecham, mais países apenas distribuem o desperdício.

A oportunidade é real para marcas com produto diferenciado e operação preparada. Para as demais, a melhor decisão pode ser usar a notícia como estímulo para construir prontidão, não como convite para ligar campanhas amanhã.

Perguntas frequentes

As listagens gratuitas também foram liberadas?

Sim. O anúncio do Google inclui anúncios do Shopping e listagens gratuitas nos 14 mercados.

Preciso criar um Merchant Center para cada país?

Não necessariamente. O Merchant Center permite trabalhar com vários países usando configurações de envio e dados de produto adequados. A arquitetura correta depende do catálogo, das moedas, dos idiomas e da operação.

Posso usar conversão automática de moeda?

Em alguns cenários, sim, mas o preço, os impostos e os custos precisam continuar claros e coerentes. Usar a moeda local não resolve sozinho a competitividade da oferta.

Vale começar por todos os novos mercados?

Não. Um teste com poucos países e produtos gera aprendizado mais legível. Abrir todos ao mesmo tempo mistura variáveis e dificulta descobrir por que vendeu ou não vendeu.

Conclusão

Os 14 novos mercados do Google Shopping ampliam o mapa de possibilidades, não a garantia de resultado. A melhor oportunidade está em combinar demanda comprovada, produto adequado, operação internacional e margem saudável.

Antes de investir, trate cada país como um novo mercado de verdade, não como mais uma caixa marcada dentro da campanha.

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